baby,
eu vim pra sentir o fardo
pesando
sobre
os ombros
e não há nada nesse mundo vil
que possa
amortecer
minha queda.
sinto falta da tua moradia no meu corpo, das tuas vestes espalhadas pela cidade
por que fugistes?
por que se apegastes à mim principalmente nos domingos?
por que teu rosto ficou gravado nos rostos espalhados pela cidade?
eu agonizo te esperando. tua ida foi morrer viva.
era uma sexta-feira quando eu te conheci
e, como na música do Cícero, eu tava esquecendo um antigo romance
teu cabelo era bonito
e você alto demais
nós trocamos algumas palavras e só
um mês depois voltei a esbarrar contigo
uma
duas
três
vezes
teus olhos sempre me beijaram antes dos teus lábios
e quando esses me alcançaram a cidade inteira adormeceu ali
e foi assim todas às vezes, Gabriel
as paredes do meu quarto sabem do teu cheiro
e do teu gosto
e da tua risada
e o bar da esquina da tua rua sabe muito sobre nós e sobre tua camisa florida de botão
teu cabelo continua bonito
e eu sempre gostei de ficar nas pontas dos pés pra te alcançar
um dia você me disse que o amor é um grande exagero que cabe dentro de nós
e me puxou pra essa dança quando eu não sei nenhum passo
mas com você eu tento, Gabriel,
eu sempre tento.